Hípica de Campinas comemora 68 anos e se consolida

A história da Sociedade Hípica de Campinas começou há 68 anos, por meio de 113 sócios-fundadores

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A arena da hípica: aulas de equitação

Meados dos anos 1940. Em uma Campinas galgada no desenvolvimento demográfico e rodoviário que traria a contemporaneidade de uma economia industrial, deixando para trás a cultura cafeeira, quando 113 homens se uniram sob as rédias de uma paixão: os cavalos. Esse elo, cultivado entre os frequentadores do Jockey Club Campineiro, resultou na fundação da Sociedade Hípica de Campinas, em 1948, que hoje figura entre os principais centros de treinamentos de hipismo do País.

 

Dia 27 de outubro, próxima quinta-feira, comemora-se 68 anos da criação da entidade e, dentre as festividades, está a reinauguração da pista principal do esporte, em 5 de novembro. Após 40 anos sem reformas expressivas, a área passou por um processo de modernização capaz de elevá-la ao nível dos grandes circuitos mundiais, de acordo com as normas da Federação Equestre Internacional (FEI). Com as obras a todo vapor, a expectativa recaí sobre o Campeonato de Salto Nacional, com o qual será celebrada a nova fase.

Enquanto isso, cavaleiros/praticantes – amadores, aprendizes e profissionais de alto nível – dispõem do terreno dedicado ao departamento que corresponde a 20% dos 10 alqueires de área total do clube. "A conquista da reforma foi importante para continuarmos como referência. Temos um dos melhores centros do Brasil, completamente adequado para os atletas”, avalia o diretor do departamento de hipismo, Carlos André Mendes Gargantini.

A afirmação é endossada por Renato Santaella Ribeiro, de 28 anos, profissional desde os 17, integrante da equipe de alto nível do clube e uma das promessas brasileiras no esporte. "Estamos vivendo a melhor fase do clube, principalmente em prol do cavalo. Eu não penso em criar expectativa, mas sim, objetivos e, como qualquer atleta, tenho por meta a olimpíada”, conta ele ao lado pai, Ismar Augusto Ribeiro Neto, conhecido como Duto, há 40 anos profissional da modalidade.

Além de passar conhecimento para o filho, o veterano cavaleiro, que aos 58 anos se mantêm nas competições, treina o novo parceiro de Renato, Cronus. "Compramos ele há 3 anos. Agora o estou preparando para o Renato. Isso leva, em média, quatro anos, quando falamos de competições. Precisa trabalhar em planos diferentes, o equilíbrio físico e também o psicológico do animal. São dois atletas”, conta, revelando que Scorpion, atual dupla do filho, logo fará 19 anos e terá que se aposentar. "O tempo do cavalo em competições é dos oito aos 18 anos”.

 

Centro de tratamento dos animais: são 120 cavalos sob os cuidados da entidade

Quanto aos planos, Duto explica a diferença entre as pistas de grama e areia, ambas presentes na instituição. "A grama é uma arena de espetáculo. Não tem um piso confortável e muda de acordo com o clima. Se chove ou não, por exemplo, passa a ser injusto para os cavaleiros. Depois de muitos anos, foi desenvolvido o piso que hoje consideramos ideal, feito de areia com agronomia mínima, capaz de drenar, ser antiderrapante e elástico, que aumenta a vida útil dos animais”, explica.

Para ser campeão como Duto, Renato mantêm uma rotina puxada. Treina diariamente, das 8h às 18h (em média), com um pausa no horário do almoço. Em comum, além da paixão pelo hipismo, eles têm o ídolo brasileiro Nelson Pessoa. "A cada gol que Pelé fez, Nelson teve três vitórias internacionais. Ele mudou a equitação no mundo e colocou o Brasil entre os melhores. O que vivemos hoje é fruto do que fez”, afirma Duto. "Nenhum outro atleta trouxe tantos benefícios para o esporte quanto ele”, completa o jovem.

Cuidados

Entre as pistas de competição e as baias, figura um personagem fundamental para a manutenção do atleta animal: os tratadores.

Na Sociedade Hípica de Campinas, cada tratador é responsável por oito cavalos. O mais experiente da turma, Luis Emílio Louvato, cujo apelido é Pelé, tem 60 anos, sendo 40 deles dedicados ao trato dos animais no clube. "As refeições são adequadas a cada um. Alguns comem duas, outros três vezes ao dia. Varia bastante. São rações, fenos e capins”, explica ele. "Os sócios consideram esses animais como filhos. É uma grande responsabilidade.”

 

O pequeno Philipe Urbano Olsen é filho de jogador de hóquei e neto de cavaleiros: destreza

Sem idade

Assim como Renato, que começou na escola da hípica aos 7 anos, o pequeno Philipe Urbano Olsen já mostra destreza sobre o animal. No caso, Flor de Lys 3K, 18 anos mais velha que ele. O animal, de propriedade de Adriana Rosales, é veterano na escolinha, com 25 anos. Philipe é filho de jogador de hóquei e neto de cavaleiros, um deles, inclusive, estava entre os 13 fundadores da Sociedade Hípica, Hélio Moraes Siqueira, e o outro foi presidente do clube.

A mãe do garoto, Gabriela Ribeiro Siqueira Urbano Olsen, conta que a introdução do filho no esporte foi inevitável. "Nem que eu quisesse colocá-lo na natação ou em qualquer outro esporte. Está no sangue. Estávamos esperando ele completar 7 anos, que é a idade mínima para a escolinha, para trazê-lo. Agora, o menor, de 3 também quer”, diz. O que Philipe mais gosta? "De galopar”, responde sem titubear.

O retorno, segundo Gabriela, é visível. "Melhora a concentração, a disciplina. Semana passada ele participou da primeira prova com nove obstáculos e ficou em terceiro lugar. É bom vê-lo feliz e com prazer no que faz”, revela a mãe.

Se para o jovem a relação com os cavalos reflete na formação, para o colega de equitação Jorge Campos Troncoso, de 78 anos, traz satisfação pessoal. "Montei quando era criança, com 4 ou 5 anos, até uns 12. Depois, nunca mais. Um dia fiquei com saudade e senti que poderia reaprender. Comecei as aulas em julho. É um prazer imenso”, conta ele feliz em superar as dificuldades. "Como estou fora de forma, recuperar é mais difícil. A intenção é cumprir metas pessoais. Isso aumenta a motivação”, constata.

Carlos André diretor do departamento de hipismo

Hípica em números

160 praticantes

120 cavalos

53 funcionários diretos

330 funcionários

Há quase 7 décadas

A história da Sociedade Hípica de Campinas começou há 68 anos, por meio de 113 sócios-fundadores, entre os quais estavam o empresário Sylvino de Godoy e os oito membros que oficializaram a proposta em reunião na Cantina Sorrento, então localizada à Rua Thomas Alves, esquina com Dr. Quirino.

Com o crescimento do clube e o ingresso de novos associados, foi necessária a transferência da sede para uma área de cerca de quatro alqueires, desmembrada da Fazenda Tapera, da família Von Zuben. Apenas em 1953, a instituição mudou para área atual, que pertenceu a viscondessa de Campinas, cabendo posteriormente a sede e os cerca de 13 alqueires a Judith Álvaro de Souza Santos, que a vendeu a Osvaldo Prudente Corrêa e para sua esposa, Iracema Lapa Prudente Corrêa. Na ocasião, as terras eram de Luís Gastão Vidigal, proprietário da antiga Fazenda Lapa, que mandou construir a capela, hoje totalmente restaurada.

ESTREIA

O primeiro campeonato de hipismo da Sociedade Hípica de Campinas ocorreu em 1949, batizado de Boa Vontade, e sagrou Guilherme Herculano Pompêo de Camargo, um dos pioneiros na fundação do clube, o primeiro vencedor. "O troféu foi restaurado e está guardado na casa da minha mãe até hoje. Representa a nossa história. Eu nasci e fui criada aqui dentro (da hípica)”, diz a filha de Guilherme, Ana Maria Guimarães Pompêo de Camargo Jannuzzi.

Além de Guilherme, formavam o grupo dos oito pioneiros que oficializaram a criação do clube: Alfred Standley Dawe, Hélio Moraes de Siqueira, Francisco José Monteiro Salles, Múcio Drumond Murgel, Luiz Antônio Pompêo de Camargo (representando o pai Fernão de Pompêo de Camargo), José Campos Sales e o major Job de Oliveira.

 

 

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