Corpo de Bombeiros já registrou mais de 160 afogamentos este ano em AL

Falta de atenção e imprudência são as principais causas, dizem militares. Baixo efetivo e estrutura precária da corporação comprometem atendimento.

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Corpo de Bombeiros diz que não há posto de salvamento na Praia do Sobral, mas faz rondas constantes no mar com botes e helicóptero. (Foto: Carolina Sanches/G1)
De janeiro a agosto deste ano, o Corpo de Bombeiros Militar (CBM) registrou 161 afogamentos em praias alagoanas. Desse total, o G1 registrou quatro casos que terminaram em mortes. De acordo com os militares, a falta de atenção e o desrespeito às placas indicativas de perigo são as principais causas de afogamentos.

A Praia do Sobral, em Maceió, é palco constante de afogamentos devido ao mar agitado. No último dia 10, um casal de jovens se arriscou ao entrar na água logo após um dia de fortes chuvas e a imprudência terminou em tragédia. Nenhum dos dois sabia nadar. A adolescente Ana Carolina de Souza Silva, 15, conseguiu ser resgatada com vida, mas o namorado dela, Luiz Henrique da Silva Gomes, 21, morreu e o corpo dele só foi encontrado dois dias depois.

Após ser resgatada, Ana Carolina teve pneumonia e ficou mais de 10 dias internada para se recuperar. A família dela, que é de Coqueiro Seco, região Metropolitana de Maceió, reconhece que houve descuido por parte da adolescente. “Ela não sabia nadar direito. Infelizmente, aconteceu essa tragédia com a nossa família. Mas lá é tão perigoso que deveria ter um posto para atender às pessoas, os bombeiros demoraram muito para chegar ao local. Espero que minha neta tenha aprendido a lição e nunca mais entre no mar tão agitado”, diz a avó da adolescente, Maria José da Silva.

Sobre a falta de posto guarda-vidas na Praia do Sobral, os Bombeiros dizem que não há efetivo suficiente para atender a todo o estado, mas os militares sempre fazem patrulhamento na área com viatura, embarcação e aéreo.

De acordo com os Bombeiros, existe um projeto para reimplantar, dentro de alguns meses, um posto guarda-vidas no Pontal da Barra, que foi demolido em janeiro deste ano. Após ser desativado, a estrutura antes usada pelo Corpo de Bombeiros havia se tornado abrigo para usuários de drogas e esconderijo de criminosos.

Entre as causas mais comuns de afogamento estão a ingestão de bebidas alcoólicas, crises convulsivas, traumatismos, doenças cardíacas ou pulmonares e acidentes de mergulho. “Os acidentes acontecem mais nos fins de semana, que é quando as pessoas aproveitam a folga na praia e ingerem bebidas alcoólicas. Quando estão sob efeito do álcool elas acreditam que podem tudo, ficam mais ousadas e entram no mar sem se preocupar se sabem ou não nadar”, afirma o soldado Rafael Calheiros, da Associação dos Bombeiros Militares de Alagoas.

Outro fator que chama a atenção dos bombeiros é a confiança que algumas pessoas têm quanto às próprias habilidades de natação. “Os casos mais comuns são de pessoas que sabem nadar e acham que o mar é igual à piscina. A pessoa tem excesso de confiança, às vezes, por exemplo, nadando de um barco a outro, ao tentar se desafiar, ela se cansa ou tem câimbras e acaba sofrendo o acidente”, afirma Calheiros.

Postos de salvamento
De acordo com o diretor de comunicação da Associação dos Bombeiros Militares, major Buriti, além da quantidade insuficiente de postos guarda-vidas, a falta de efetivo especializado em salvamento aquático aumenta ainda mais a precariedade do serviço oferecido pela corporação. Segundo ele, há menos da metade da quantidade de profissionais necessária.

“O Corpo de Bombeiros já solicitou concurso público e ainda aguardamos uma resposta. Por causa da falta de efetivo, não conseguimos ampliar a quantidade de postos guarda-vidas. Em 2006, foi feito concurso público e 600 soldados foram chamados, mas desses, 200 não estão mais na corporação. Estamos com um número bem reduzido”, lamenta o major.

Por causa dessa defasagem, os Bombeiros estão investindo em campanhas educativas junto aos banhistas, para conscientizar os pais de crianças pequenas a não deixarem seus filhos sozinhos perto da água. Eles também orientam que as pessoas não entrem na água após ingerir bebida alcoólica.

No ano passado, a reportagem do G1 fez uma matéria sobre a falta de estrutura dos postos guarda-vidas. Muitos postos funcionam de maneira improvisada, um deles divide o espaço espaço com clientes de um bar na Praia da Sereia, no Litoral Norte do estado. À época, os militares que atuam naquela região disseram que há mais de 10 anos não possuem um posto fixo na região.

Para tentar investir em equipamentos e estrutura, o CBM conta com a taxa dos Bombeiros, cobrada anualmente por residência. Os bombeiros dizem que a arrecadação da taxa é para aumentar o poder operacional, através de aquisição de novas viaturas de combate a incêndio, unidades de mergulho, carros de salvamento, botes, motos aquáticas e equipamentos de proteção individual.

“Atualmente, a taxa não pode ser usada para reforma do quartel porque o Estado centralizou toda a parte de obras através do Serviços de Engenharia do Estado de Alagoas (Serveal), e toda e qualquer reforma tem que ser feito por lá”, afirma.
Posto Guarda-vidas fica em um espaço improvisado cedido por um comerciante da região (Foto: Michelle Farias/G1)
Posto Guarda-vidas fica em um espaço improvisado cedido por um comerciante da região (Foto: Michelle Farias/G1)
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