ALERTA Jogos Baleia Azul, Pais devem continuar atentos às redes sociais e aos comportamentos dos seus filhos.

No Brasil, o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos

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o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos

O Jornal da Record desta semana abordou, durante a Série JR, um assunto polêmico e assustador: o suicídio. Foram dias de reportagens especiais sobre o tema, nas quais especialistas e vítimas tiveram espaço para comentar dificuldades, dados oficiais e depoimentos emocionantes sobre histórias vividas e acompanhadas. 

Durante a série, a equipe de reportagem ficou frente a frente com um dos curadores do jogo suicida Baleia Azul e até cumpriu alguns dos desafios. Uma das repórteres recebeu ajuda da equipe da maquiagem para forjar mutilações e até marcou um encontro com o rapaz. Veja os detalhes desse encontro e das histórias contadas pela Série JR dessa semana:

Nem tudo é o que parece

Logo no primeiro episódio, o JR contou o caso de uma menina de 16 anos que serve de exemplo para que estereótipos se quebrem e que os olhares permaneçam atentos. De longe, a menina não era o "padrão" esperado pra que problemas como depressão se desencadeassem. Ela era vista como a princesa da casa, tida como popular na escola, como uma das melhores alunas da turma e mesmo assim teve que lidar com esses problemas, ainda que não soubesse de onde eles viriam. O primeiro a perceber foi seu avô, que convivia de perto com a menina e que notou algo de anormal em seu comportamento e na quantidade de sono sentida por ela. A luz de alerta realmente acendeu quando a menina foi internada em coma alcoólico e a mãe acabou tomando conhecimento das marcas das mutilações no corpo da menina. Ao todo, foram três tentativas de suicídio.

Eu dormia demais, eu realmente sentia uma tristeza que era anormal pra mim, que sempre fui uma pessoa alegre.

O diagnóstico inicial foi à depressão, mas se estendeu para o quadro de bipolaridade e hoje a menina luta para restabelecer um curso de vida normal. O caso é importante porque deixa claro que o problema pode atingir todas as pessoas, até aquelas que não possuem problemas estruturais na família, na vida pessoal e profissional. E também porque alerta aos familiares a sempre estarem atentos às mudanças drásticas de comportamento, que podem indicar um problema maior. Baleia Azul Mais uma prova de que os pais devem sempre estar atentos às redes sociais e aos comportamentos dos seus filhos foi uma onda que se espalhou recentemente, a Baleia Azul. O jogo tem como público-alvo justamente um perfil fragilizado, ou seja, jovens vulneráveis. Ao ingressar no jogo, os adolescentes devem cumprir 50 desafios, que envolvem mutilações, e o desafio final é o suicídio. Os curadores da Baleia Azul, além de fazer uso muito mal intencionado da fragilidade das pessoas, ainda cometem um crime grave, a incitação ao suicídio, artigo 122 do código penal, com pena prevista de 1 a 6 anos, com agravamento se a vítima for menor de idade.

O jogo no Brasil No Brasil, estima-se que 11% dos brasileiros tenham tido acesso a jogos que incitam o suicídio. Com isso, o esperado era que se iniciassem as investigações para chegar aos responsáveis pela "brincadeira". Foi assim que a polícia encontrou um dos curadores do jogo em Bauru, após uma denúncia da família de uma das adolescentes que estava sendo vítima. O curador também era menor de idade. Os motivos que levam essas crianças e adolescentes a procurar o jogo Baleia Azuis muitas vezes estão relacionados às questões estruturais internas que passam despercebidas, como relatou o menino de 16 anos que chegou a participar do jogo: O rapaz passou por tratamento pra superar os pensamentos suicidas, mas nem todo mundo tem a sorte de falar sobre o problema antes dele se tornar irreversível. O jogo é um gatilho para problemas que já fazem parte da vida desses jovens muito antes até mesmo da Baleia Azul existir. No Brasil, o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos segundo dados coletados pela Organização Mundial da Saúde. Em depoimento, a psicóloga da OMS, Denise de Micheli, reafirma a necessidade de notar os problemas internos da vida do adolescente.

Localizando o curadorDepois que a equipe investigativa da Record TV monitorou grupos em redes sociais por vários dias, um curador daBaleia Azul foi identificado. Era um homem de 23 anos do Rio de Janeiro. partir disso, a produção se passou por uma jovem em depressão para começar ojogo e estabelecer contato com o responsável. No total, 7 dos 50 desafios foramcumpridos pela repórter ao longo de 23 dias de conversas, e todosaqueles que envolviam mutilação contavam com um trabalho especial da equipe demaquiagem da emissora.

Cara a cara com o responsável

Depois do tempo de aproximação, a repórter conseguiu de fato marcar um encontro com o curador para

descobrir quais as motivações que levam esse homem a incitar o suicídio. A partir disso, informações chocantes foram constatadas por ele. A primeira delas é a faixa etária dos jogadores, que vai de 12 a 17 anos. Segundo o delegado de crimes cibernéticos, José Mariano, é que justamente por essa idade de vulnerabilidade que essas crianças procuram o criminoso, ao invés de serem procuradas por eles.

Eles são simplesmente alguém com um X nas costas que os identifica como vulnerável, e isso é péssimo, porque facilita o trabalho de criminosos. É aquela história, o criminoso não está mais caçando, mas sendo procurado pela caça. José Mariano, delegado de crimes cibernéticos.

O curador afirmou que duas das meninas que iniciaram o jogo com ele terminaram, ou seja, cometeram suicídio. E as motivações conseguem ser ainda mais amplas: ele se justifica dizendo que gosta de coisas macabras, que gosta de ver o sofrimento das pessoas. E por fim ainda afirma que gostaria de ter visto a repórter acabar o jogo.

Análise de especialistas Segundo os especialistas ouvidos pelo Jornal da Record, o curador tem traços claros de psicopatia, e a frieza dele diante da situação realmente é impactante. Durante a matéria, o nome, a idade e a profissão do curador foram identificadas, todas as informações coletadas, assim como o conteúdo exibido na reportagem foram encaminhadas para a Polícia Civil. Essas informações e a imagem do criminoso não foram divulgadas para não atrapalhar as investigações.

Outro lado - Apesar de o suicídio estar cada vez mais próximo dos jovens e crianças por meios virtuais, como a Baleia Azul, é na velhice que os índices de suicídio são os mais elevados e é nos homens que o problema se agrava. O suicídio é três vezes mais frequente entre idosos homens em relação às mulheres e esse gatilho é puxado por pelo abandono, pelos maus tratos, pela solidão. Para esses idosos, tirar a própria vida não é uma alternativa, mas é a falta dela manifestada.

É preciso quebrar o tabu O suicídio é a causa de quase um milhão de mortes por ano segundo a OMS, 12 mil só no Brasil. O silêncio não pode prevalecer quando se fala de uma causa que mata mais que a AIDS. Nesse cenário, 90% dos casos são motivados por transtornos psiquiátricos, que devem ser acompanhados por um médico e contar com um suporte familiar e social.

Outro tipo de ajuda Nem sempre se encontra o apoio e a quantidade de diálogo suficiente dentro das relações familiares, é por isso que projetos como o CVV, o Centro de Valorização da Vida, onde voluntários tentar reverter essas estatística existem. Os atendimentos são feitos por telefone, chat, Skype e e-mail e são realizados por colaboradores fieis como Antônio, que há 15 anos ajuda muita gente no projeto e se emociona ao falar dele.

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