A história do Socorrismo

A guerra significa doença, ferimento e dor, representa o esforço maximo de um povo pela sua sobrevivência, mesmo significando a destruição e a morte dos seus semelhantes

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A história do Socorrismo
A guerra significa doença, ferimento e dor, representa o esforço maximo de um povo pela sua sobrevivência, mesmo significando a destruição e a morte dos seus semelhantes. Segundo pirogoff, emitente medico do exercito imperial russo é uma Epidemia Traumática.

O primeiro exército a possuir seu serviço medico militar organizado foi o Romano. Seus feridos eram transportados para as barrancas de decúria, onde recebiam socorro necessário. Possuíam os valetudinários, hospitais fixos, destinados aos atendimentos de militares, gladiadores e atletas. Foi entre os Romanos apareceu à figura auxiliar do hospital, o enfermeiro que auxilia o medico no tratamento do paciente, entretanto, entre os Gregos, que se encontram os maiores nomes da Medicina Militar da Antiguidade.

Hipocrates- medico militar por mais de 30 anos, participando da campanha de Tracia, Macedônia e Tesalia. Em seu livro do Medico, mostra a importância do atendimento aos feridos de guerra,

Podalirio e Machon- filhos de Esculápio eram conhecidos como médicos guerreiros pelas suas participações nos combates diante de Troia.

Claudio Galeno- medico de Marco Aurélio, o primeiro pesquisador da fisiologia, médico também da escola de gladiadores.

Assim como os egípcios, gregos e romanos, os médicos militares chineses deixaram grandes heranças as ciências medicas, se destacaram não apenas na cirurgia, mas a experiência com os ferimentos por flechas permitiram-lhes desenvolver a acupuntura, tão usada hoje em dia.

Durante o final do século XVIII e século XIX, a Medicina Militar deu um grande salto, quando as doenças passaram a um plano secundário com causa de baixa. Foi quando o mundo viu-se ensanguentado pelas guerras de Napoleão na primeira (1853-1856, Rússia contra Inglaterra), Franca, Império Otomano e Piemonte, Franco-Prussiana, da Tríplice Aliança e da Secessão Norte-Americana (1861-1865).

Surge, no final do século XIX, um dos grandes nomes da Medicina Militar, Jean François Percy, médico militar Frances que aperfeiçoou a PADIOLA tornando-a desmontável e mais leve. O grande nome da época, entretanto, foi Dominique Jean Larrey, considerando o mais completo cirurgião da época. Larrey foi medico do Grand Arme de Napoleão, criou a primeira ambulância sobre rodas, organizou, em 1798, a Escola de Cirurgia do Cairo e, em 1807, a Escola de Varsóvia. Era um apaixonado pelo ensino da Medicina. Cria, posteriormente, uma escola de Medicina e Cirurgia Militar na Espanha. Após Waterloo, como prisioneiro dos austríacos deixa de ser fuzilado e é posto em liberdade pelas vidas austríacas salvas durante a guerra. Larrey morreu pobre, apenas reconhecido por aqueles que receberam os seus cuidados médicos.

CONCEITO DE TERAPIA INTENSIVA – A ERA FLORENCE NAS GUERRAS.
A unidade de Terapia Intensiva (UTI) e idealizada como unidade de monitoração de paciente grave pelo trabalho da enfermeira Florence Nightingale.

Em 1854, tem inicio a Guerra da Crimeia, na qual Reino Unido, Franca e Turquia declaram guerra à Rússia. Em condições precárias, a taxa de mortalidade atinge 40% entre os soldados hospitalizados, FLORENCE e mais 38 voluntárias por ela treinadas partem para os campos de Scutari. Incorporando-se ao atendimento, a mortalidade cai para 2%, respeitada e adorada, torna-se referencia entre os combatentes e importante figura de decisão, estabelece as diretrizes e caminho para a enfermagem moderna.

CRUZ VERMELHA INTERNACIONAL E EQUIPE DE SAUDE
PRINCIPIOS FUNDAMENTAIS

A organização foi fundada por iniciativa de Jean Henri Dunant, em 1863, sob o nome de Comitê Internacional para Ajuda aos Militares Feridos, designação alterada, a partir de 1876, para Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

A assistência aos prisioneiros de guerra teve grande avanço a partir de 1864, quando foi realizada a Convenção de Genebra pra a melhoria das condições de amparo aos feridos ,e,em 1899, quando foi realizada a Convenção de Haia, que disciplinava as normas de guerra terrestre e marítima. O trabalho do Comitê Internacional da Cruz Vermelha esta baseado em sete princípios fundamentais.

Humanidade – socorre, sem discriminação, os feridos no campo de batalha e procura evitar e aliviar os sofrimentos dos homens, em todas as circunstâncias,

Imparcialidade – não faz nenhuma distinção de nacionalidade, raça, religião, condição social e filiação política.

Neutralidade – para obter e manter a confiança de todos, batem de participar das hostilidades e nunca intervém nas controvérsias de ordem política, racial, religiosa e ideológica.

Independência – as Sociedades Nacionais devem conservar sua autonomia, para poder agir sempre conforme os princípios do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

Voluntariado – instituição de socorro voluntário e desinteressado.

Unidade – só pode haver uma única Sociedade Nacional em um pais.

Universalidade – instituição universal, no seio da qual todas as Sociedades Nacionais tem direitos iguais e o dever de ajudar umas as outras.

O TRANSPORTE DE FERIDOS
A necessidade do transporte militar e de feridos foi surgindo, tendo sido, na guerra Franco Prussiana, em 1855 ,amplamente utilizados a remoção e o resgate aeromédico, feridos eram transportados de forma rudimentar para hospitais de campanha, já se observando as vantagens ganhas em tempo e segurança. Porem era transportes realizados com ausência ou limitações de profissionais de saúde, principalmente médicos.
Após a Primeira Guerra, o sistema de remoção aérea foi se desenvolvendo, porém, com limitações de custos e pessoal treinado. Aeronaves amplas com médicos e enfermeiros com maior conhecimento da fisiologia do voo e aeroportos homologados já permitiam o transporte mais adequado e rápido. A Segunda Grande Guerra novamente impulsiona a necessidade de transporte rápido de feridos. Alemães e americanos adaptam aeronovas militares de transporte para ambulâncias aéreas, com macas apropriadas, sistema de aspiração e oxigênio, equipamentos de ventilação não invasiva, com mascaras, medicações e com a presença dos profissionais de saúde para atendimento.

Em 1962, a Guerra do Vietnã e iniciada em terreno acidentado, floresta fechada e graves epidemias. O Helicóptero tornou-se, assim, a melhor opção para deslocamento militar e de feridos. O mais utilizado foi o H1, em geral bipilotado, contando com maca interna equipe de auxiliar ou enfermeiro e médico para, sobretudo, efetuar resgate de feridos em missões com pouca segurança e sujeita a artilharia inimiga. A Guerra do Vietnã demonstrou a necessidade de treinamento para equipes de saúde específicas, dando inicio a era da asa rotativa e UTIs aéreas. Já nessa época, o medico e engenheiro aeronauta Forrest Bird inventa o mais importante ventilador pulmonar invasivo pressórico, designado BIRD Mark7, para utilização em UTIs militares e aeronaves de resgate.

SERVICO DE SAUDE DO EXERCITO BRASILEIRO

O PATRONO
Nascido a 27 de maio de 1836, em Alagoas o General de Brigada João Severino da Fonseca, médico, militar, escritor, historiador e diplomata, ingressou na carreira das armas dois anos após seu doutoramento,em 1862,tomou parte na Campanha do Uruguai, apresentando-se como voluntário, embora doente e ainda em licença para tratamento.

Seu desempenho em Salto e Paissandu, marcos iniciais de um ciclo glorioso, que prosseguiria na Guerra da Tríplice Aliança, foi de substancial valor.

Fez toda a campanha da Tríplice Aliança vivenciando e sofrendo as dificuldades impostas pelas condições climáticas, que variavam do intenso calor no verão as chuvas prolongadas na primavera e ao intenso frio do inverno. Como se isso não bastasse, atendeu nas epidemias de varíola e cólera, lutando contra a precariedade do estado sanitário da tropa. Aplicou-se, incansavelmente, contra os piores inimigos da guerra, que eram as doenças infectocontagiosas. No meio dessa terrível guerra, estava o patrono sempre zeloso, humanitário e inteligente.

Promovido a General de Brigada em 1890, chegou ao mais alto cargo do Corpo de Saúde, com o titulo (da época) de inspetor-geral do Serviço de Saúde do Exercito. Afastou-se da ativa quando eleito senador, retornando a Inspetoria Geral em novembro de 1895.

O general João Severiano da Fonseca faleceu em 1897, no Rio de Janeiro (RJ). Sua insigne figura foi escolhida para representar o Patrono do Serviço de Saúde em 1940, o que foi homologado em decreto de 13 de marco de 1962.

A PARTICIPACAO DAS MULHERES
A primeira participação de uma mulher em combate ocorreu em 1823. Maria Quitéria de Jesus lutou pela manutenção da independência do Brasil, considerada a primeira mulher a assentar a praça em uma unidade Militar.

Entretanto, somente em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres oficialmente ingressaram no Exercito Brasileiro. Foram enviadas 73 enfermeiras, 67 delas enfermeiras hospitalares e seis especialistas em transporte aéreo. Elas serviram em quatro diferentes hospitais do exercito norte americano, todas se voluntariaram para a missão e foram as primeiras mulheres a ingressar no serviço ativo das forças armadas brasileiras. Após a Guerra , assim como o restante da FEB- Forca Expedicionária Brasileira, as enfermeiras, em sua maioria, foram condecoradas, ganharam a patente de oficial e foram licenciadas do serviço ativo militar.

OS PRACINHAS DA FEB
Os pracinhas do Serviço de Saúde da FEB contribuíram para o êxito das operações militares de campanha na Itália, conservando a higidez da tropa e minimizando suas baixas. Sempre atuaram prontamente e com total dedicação ao cumprimento do dever e com amor ao próximo, o irmão de armas brasileiro. Os médicos da FEB atuaram de forma ininterrupta, principalmente no atendimento primário na chamada zona de combate, pois os feridos e doentes surgiam a todo o momento, de dia ou à noite. Houve também atuações excepcionais dos médicos brasileiros nos hospitais de campanha, alguns chegando ate o cargo de chefia, por exemplo, dos 32 Hospitais de Campanha.

A ESTRUTURA
O serviço de Saúde da Segunda Grande Guerra funcionou em uma linha de atendimento hospitalar de quatro tipos de hospitais. O geral, localizado a retaguarda, que era o 45 th, em Nápoles, o de estacionamento, como o 7th Station Hospital, em Livorno, o de evacuação, como o 38th e o 16th, e, ao final da guerra, o 15th. Bem próximo à linha de frente, encontrava-se o 32 nd Field Hospital, ou seja, o chamado Hospital de Campo Eram 25 leitos utilizados para o atendimento dos casos de máxima urgência, como os polifraturados, ferimentos de crânio, arrancamento de membros, etc. Estava instalado em Valdibura, no sopé do Monte Castelo e, embora fosse uma unidade americana, o seu comando foi entregue ao eminente professor Alípio Correa Neto, que contou com uma equipe de eficientes enfermeiras brasileiras.

Também integrava o pessoal do hospital uma equipe de médicos e enfermeiras americanas. Essas jovens realizaram um trabalho notável. Alem do serviço de enfermagem, davam apoio e carinho aos feridos. Cumpriram seu dever com eficiência, mas também com doçura. Vários episódios são relatados em livros descrevendo o desprendimento e a abnegação dessas brasileiras que foram servir a pátria tão longe. Merecem a eterna gratidão de todos que estiveram na Itália servindo a FEB. Todas as equipes do Serviço de Saúde, tanto dos destacamentos regimentais, como a do um Batalhão de Saúde e do próprio Hospital de Campanha tinham extrema mobilidade, acompanhando o deslocamento da tropa para melhor atendimento. Os Serviços de Saúde atenderam mais de 10 mil casos, entre feridos e acidentados.

PRIMEIRAS E SEGUNDAS GUERRAS MUNDIAIS – ASPECTOS HISTORICOS DA MEDICINA
Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e de se salientar alguns pontos importantes à seleção médica dos convocados, emprego da Anatoxitetanica, a luta contra a gangrena e supuração, o emprego da imobilização gessada, o emprego da anestesia e radiologia como rotina de trabalho.
Na segunda Guerra Mundial, todos os exércitos possuíam serviço de saúde organizado, estruturado e instruído. Dos ensinamentos deixados pela Segunda Guerra Mundial e interessante ressaltar, a imunização obrigatória em massa, à alimentação cientifica, racional e controlada, o uso intensivo de sangue e de plasma na linha de frente, o emprego de raticidas, inseticidas e repelentes, o uso sistemático de antimaláricos nas áreas endêmicas, o emprego de evacuação aeromédica, o emprego de jipe-ambulância, em primeiro escalão, o inicio do emprego de sulfas e penicilina.

A segunda Guerra Mundial deu aos médicos militares experiência impar em relação à medicina preventiva, valiosos estudos foi realizado em relação à malaria, hepatite infecciosa, filariose, entre outras doenças.
Na cirurgia, inúmeros ensinamentos também foram conquistados (CelCollins, EUA), estruturas vivas dos nervos, músculos, tendões e ossos devem ser preservados, a importância do emprego do sangue total e do plasma no combate ao choque, perdas de substancia óssea do crânio.

A experiência mais violenta na guerra foi à introdução de artefatos nucleares no arsenal bélico, com sua devastação pelo calor direto, raios Gama, raios UV e o efeito psicológico, levando o terror da neurose como consequência natural.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tal fato vem apenas confirmar na historia a contribuição da Medicina Militar a humanidade. Assim, inúmeros foram os médicos militares que contribuíram para o bem da humanidade baseados em sua experiência de guerra.

A medicina não participa da destruição, do morticínio, mas se destina sempre, em seu esforço, a salvar vidas e diminuir o sofrimento dos pacientes, independente da bandeira sob a qual combatem, atuando com garantias e a máxima liberdade que lhes são proporcionadas pelo Direito Medico Internacional.
Olhando para o passado, almejamos um futuro sem conflitos e que os homens se tornem mais de boa vontade do que limitados ao egoísmo e a satisfação dos seus limitados e própios interesses.
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