Alberto Takaoka - O Fotógrafo

Após o acidente com a aeronave da TAM, Alberto propôs ao Corpo de Bombeiros de São Paulo trabalhar voluntariamente fotografando suas ações.

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Fotos: Alberto Takaoka
Hoje sinto-me honrado com a autorização do amigo Alberto Takaoka para publicação de sua história em minha coluna, um verdadeiro profissional que conquistou o coração de todos os fãs e membros do Corpo de Bombeiros da PMESP e de todo brasil. Sempre valorizando o trabalho desses "HERÓIS" Homens e Mulheres que não medem esforços para salvar vidas. "Cássio Messias"


Alberto Takaoka é engenheiro civil de formação e fotógrafo autodidata por paixão. O fotojornalista trabalhou voluntariamente durante 10 anos para o Corpo de Bombeiros da cidade de São Paulo, registrando imagens impressionantes sobre o trabalho da corporação.

Autorizado a ficar no quartel à espera de algum chamado, viveu momentos de intensa emoção. "A cada alarme que soava determinando a saída imediata da viatura, vinha aquele sentimento bom de esperança de imaginar que os bombeiros iriam salvar vidas", comenta. Este trabalho lhe rendeu notoriedade e, atualmente, diversas exposições fotográficas pela cidade de São Paulo.

O interesse pela fotografia surgiu ainda na adolescência, fazendo registros de sua vida cotidiana e viagens. Ao longo dos anos fotografou pessoas e países diferentes, documentando imagens sobre costumes e culturas diferentes.

Também fotografou belíssimas igrejas da cidade paulistana. Em 2017, lançou o livro Heróis do Fogo como homenagem aos bombeiros. O lançamento da obra foi realizado na assembleia legislativa.

POR EDER CHIODETTO, CURADOR DO LIVRO HERÓIS DO FOGO

Eram 18h48 do dia 17 de julho de 2007, quando o Airbus A320-233, que realizava o voo TAM 3054 entre Porto Alegre e São Paulo, não conseguiu frear na pista 35L do Aeroporto de Congonhas. Apenas 24 segundos após o trem de pouso tocar a pista, a aeronave atravessou sobre os carros que congestionavam a avenida Washington Luís e chocou-se contra o prédio da TAM Express, consolidando assim o maior acidente da história da aviação brasileira até hoje. Foram 199 vítimas fatais, sendo 187 passageiros e tripulantes e doze pessoas que estavam no solo.

Nesse exato momento, o engenheiro civil de formação e fotógrafo autodidata por paixão, Alberto Takaoka, estava numa festa em família, em sua casa no bairro de Alphaville, em Barueri (SP). Em meio aos festejos, a atenção de Alberto se voltou para as labaredas de fogo que a televisão começou a mostrar ao vivo do local do acidente. O fotojornalista que até então estava latente desde que o interesse pela fotografia surgiu em sua adolescência, num gesto quase instintivo eclodiu nesse instante com a urgência dos momentos históricos que necessitam ser documentados. Alberto pegou sua câmera, entrou no carro e disparou em direção ao Aeroporto de Congonhas. O bloqueio montado pela polícia militar delimitava o espaço de segurança para a grande massa de pessoas que se dirigiram ao local. Com sua teleobjetiva, Alberto começou a fotografar.

No primeiro momento seu interesse era a catástrofe em si. Mas logo ele se impressionou com a ação do Corpo de Bombeiros. "Comecei a perceber através das minhas lentes o lindo trabalho dos bombeiros. Então tomei a decisão de falar com o comandante da corporação para ver se eu poderia ficar mais próximo deles. Mostrei as fotos que eu já tinha feito. Eles gostaram e me autorizaram a ficar mais próximo", lembra Alberto.

A agilidade, o destemor, a disciplina, a técnica, tudo alinhado no intuito de tentar salvar vidas e minimizar ao máximo a dimensão da tragédia foram atributos dos bombeiros que chamaram a atenção do fotógrafo. Hoje fica claro, olhando seu imenso acervo de nove anos de coberturas de ocorrências do Corpo de Bombeiros, que essas qualidades que chamaram a atenção do fotógrafo, são as mesmas que ele adquiriu ao longo desse projeto.

Após o acidente com a aeronave da TAM, Alberto propôs ao Corpo de Bombeiros de São Paulo trabalhar voluntariamente fotografando suas ações. Autorizado a ficar no quartel à espera de algum chamado, viveu momentos de intensa emoção. "A cada alarme que soava determinando a saída imediata da viatura, vinha aquele sentimento bom de esperança de imaginar que os bombeiros iriam salvar vidas", comenta.

Além de incêndios Alberto presenciou muitos acidentes de automóveis, salvamentos de pessoas em diversas situações de perigo, ameaças de suicídio, pessoas soterradas e desabamentos de edificações. Os incêndios do Memorial da América Latina, em 2013, e dos seis tanques de combustíveis em Santos, em 2015, que ardeu durante 192 horas, por nove dias, foram outros eventos marcantes das coberturas fotográficas realizadas por Alberto. "O incêndio do Memorial da América Latina vitimou vários bombeiros amigos meus, mas graças a Deus todos sobreviveram", relembra emocionado. O impactante acervo de fotografias de Alberto Takaoka, provavelmente o único dedicado de forma sistematizada a registrar tão próximo a ação dos bombeiros, torna-se um patrimônio iconográfico que deve ser preservado tanto pelo seu potencial documental, quanto pelo seu valor estético.
Trabalhando o tempo todo de forma voluntária e sem patrocínio, Alberto dedicou-se com tamanha determinação que acabou gerando um retrato original e humanista desses profissionais que se dedicam a salvar vidas, muitas vezes arriscando-se em situações complexas.

Robert Capa (1913 - 1954), um dos mais notáveis fotógrafos de guerra que já existiu, afirmou certa vez que "se suas fotos não são suficientemente boas, é porque você não estava suficientemente perto". Alberto Takaoka seguiu o ensinamento à risca, mas percebeu que proximidade não se restringe a chegar perto da cena dos fatos. Para um documentarista, logo ele percebeu, é necessário estreitar o convívio, conhecer verdadeiramente as pessoas envolvidas, ouvir suas histórias, entender seus desejos e dramas pessoais.

A fotografia é, na visão de documentaristas desse quilate, uma poderosa ferramenta de aproximação entre as pessoas, expressão legítima de ambos os lados da câmera, uma forma de ver e entender o mundo e as pessoas pelo afeto e pela compaixão que nos une. Isso fica claro quando percebemos no acervo de fotografias de Alberto que suas imagens não se restringem a momentos extraordinários. O cansaço, a emoção, a determinação, a coragem e o temor perpassam os semblantes desses heroicos profissionais. Fica claro, nas fotografias desse livro, que por trás de um Corpo de Bombeiro há sempre uma legítima e pulsante alma de bombeiro.

A fotografia é, na visão de documentaristas desse quilate, uma poderosa ferramenta de aproximação entre as pessoas, expressão legítima de ambos os lados da câmera, uma forma de ver e entender o mundo e as pessoas pelo afeto e pela compaixão que nos une. Isso fica claro quando percebemos no acervo de fotografias de Alberto que suas imagens não se restringem a momentos extraordinários. O cansaço, a emoção, a determinação, a coragem e o temor perpassam os semblantes desses heroicos profissionais. Fica claro, nas fotografias desse livro, que por trás de um Corpo de Bombeiro há sempre uma legítima e pulsante alma de bombeiro.


"Uma imagem vale mais que mil palavras " 
                  Filósofo Confúcio


Conheça todo trabalho que é uma verdadeira "Obra de Arte" no Site:www.albertotakaoka.com.br ou envie sua mensagem para saber mais sobre o trabalho de Alberto Takaoka:contato@albertotakaoka.com.br


O Portal Bombeiros Socorristas parabeniza o fotógrafo "Alberto Takaoka" pelo excelente trabalho.


Fotos: Alberto Takaoka
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